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domingo, 30 de dezembro de 2007

Proliferação de Águas-vivas no Litoral Gaúcho

Continuando assuntos referentes ao período de férias, mas talvez não tão ameno, estive no litoral antes do natal e para surpresa minha, pois nada pode ser perfeito haja vista o sol maravilho e águas limpas, o oceano estava com grande quantidade de águas-vivas bem próximas a praia, forçando, muitas vezes, os banhistas saírem das águas com marcas na pele do referido animal.
Por curiosidade resolvi pesquisar um pouco sobre a tal criatura que paira uma áurea de mistério, pois nos filmes de minha juventude, muitas vezes, eram criaturas malignas que se refugiavam em águas profundas só a espera da próxima vítima, e achei o seguinte artigo, espero que gostem!

Como funciona a água-viva
por Stephanie Watson - traduzido por HowStuffWorks Brasil

Introdução

Uma colônia de água-viva
Imagem cedida por Kevin Connors /MorgueFile

A água-viva é provavelmente uma das criaturas mais incomuns e misteriosas que você poderá encontrar. Com seu corpo gelatinoso e seus tentáculos bamboleantes, ela se parece mais com algo de um filme de terror do que com um animal de verdade. Mas se conseguir deixar a estranheza de lado, e o fato de que se você chegar muito perto de uma água-viva resultará em uma ardência terrível, irá descobrir que ela é muito fascinante. A água-viva existe há mais de 650 milhões de anos e é representada por milhares de espécies diferentes, sendo que novas espécies são descobertas a todo o momento.

Neste artigo, vamos aprender tudo sobre esses misteriosos animais e descobrir o que fazer se você cruzar com um urticante tentáculo de água-viva.

A água-viva vive principalmente no oceano, mas, na verdade, ela não é um peixe, e sim um plâncton. Estas plantas e animais flutuam na água ou têm capacidades de nado tão limitadas que as correntes controlam seus movimentos horizontais. Alguns plânctons são organismos unicelulares microscópicos, enquanto outros são enormes. A água-viva pode medir de menos de 2,5 cm a cerca de 2m, com tentáculos chegando até a 30,5 m de comprimento.

A água-viva também faz parte do filo Cnidários, (da palavra grega "urtiga que queima") e da classe Cifosoários (da palavra grega "xícara", referindo-se ao formato do corpo da água-viva). Todas as espécies cnidarianas têm uma boca no centro do corpo, e envolvida por tentáculos. Os parentes cnidarianos da água-viva incluem corais, anêmonas do mar e a caravela-portuguesa.

A água-viva é composta por cerca de 98% de água. Se ela encalhar na praia, praticamente irá desaparecer à medida que a água evaporar. A maioria é transparente e tem o formato de um sino. Seu corpo tem uma simetria radial, o que significa que os membros se estendem de um ponto central como os raios de uma roda. Se você cortar uma água-viva pela metade em qualquer ponto, sempre terá partes iguais. Ela tem um corpo muito simples: não possui ossos, cérebro nem coração. Para ver a luz, detectar odores e se orientar, a água-viva tem nervos sensoriais rudimentares na base de seus tentáculos.

Ilustração do corpo da água-viva

O corpo da água-viva geralmente é composto de seis partes básicas:

  • a epiderme, que protege os órgãos internos;
  • a gastroderme, que é a camada interna;
  • a mesogléia, ou parte gelatinosa intermediária, entre a epiderme e a gastroderme;
  • a cavidade gastrovascular, que funciona como um conjunto do esôfago, estômago e intestino;
  • um orifício que funciona como boca e ânus;
  • tentáculos que formam a extremidade do corpo.

Uma água-viva adulta é uma medusa, que recebeu este nome por causa de Medusa, a criatura mitológica com cobras no lugar do cabelo, que poderia transformar os seres humanos em pedra com um simples olhar. Depois que o macho libera seu esperma na água por seu orifício, o esperma nada até o orifício da fêmea e fertiliza os ovos.

Ciclo de vida da água-viva

Várias dezenas de larvas de água-viva podem ser concebidas de uma só vez. Finalmente, elas flutuam nas correntes e procuram uma superfície sólida para se fixarem, como um rochedo. Ao se fixarem, elas se tornam pólipos, cilindros ocos com uma boca e tentáculos na parte superior. Posteriormente, os pólipos se desenvolvem em uma água-viva jovem, chamada éfira. Depois de algumas semanas, a água-viva se desprende e se desenvolve, tornando-se uma medusa adulta. Uma medusa vive cerca de três a seis meses.

Quando a água-viva ataca!
Parece algo extraído do filme "Godzilla": monstros marítimos gigantes invadiram os mares do Japão. Eles têm 1,82 m de comprimento e pesam até 225 kg. Eles causaram danos à indústria pesqueira nacional e infligiram algumas fisgadas mortais nos seres humanos. Eles foram responsáveis até pelo desligamento temporário de uma usina de energia nuclear depois que entraram no seu sistema de resfriamento. Essas criaturas eram águas-vivas, que os japoneses chamam de echizen kurage. Alguns especialistas atribuem o influxo de águas-vivas às chuvas pesadas na China, que direcionaram as criaturas marítimas para os mares do Japão. Felizmente, os japoneses encontraram uma utilização para as diversas águas-vivas enormes que capturaram: água-viva desidratada e salgada. Está servido?

A fisgada

A água-viva é carnívora, ou seja, ela come outros animais. As águas-vivas menores comem algas e outros plânctons minúsculos, chamados zooplânctons. As águas-vivas maiores comem crustáceos e outros animais aquáticos grandes. Ela não procura pessoas para atacar porque seu sistema nervoso é simples demais para isso. Sua fisgada é um mecanismo de defesa e uma forma de capturar a presa.

Encadeamentos de fisgada

Cada tentáculo da água-viva é coberto por milhares de células chamadas cnidoblastos, que abrigam nematócitos que possuem os filamentos urticantes. Quando uma água-viva encontra outro objeto, a pressão interna do nematócito faz com que os filamentos se desenrolem. As células urticantes atingem a vítima displicente como pequenos dardos, disparando veneno. O veneno é uma neurotoxina desenvolvida para paralisar a presa da água-viva. Embora uma água-viva possa matar um animal aquático pequeno, sua fisgada normalmente não é fatal aos humanos. Ela costuma provocar dor, irritações na pele, febre e cãibras nos músculos. O grau de dor e a reação a uma fisgada de água-viva pode depender das espécies. As águas-vivas maiores têm cnidoblastos grandes que podem penetrar mais fundo na pele e algumas delas possuem um veneno mais forte do que outras.

Água-viva morta em uma praia
Imagem cedida Captain Albert E. Theberge/NOAA
Uma água-viva encalhada em uma praia em Cedar Island,
Carolina do Norte

Quando você estiver na praia, tome cuidado com as águas-vivas na água e na areia. Até mesmo um tentáculo que tenha se separado da água-viva pode fisgar. Se você for fisgado, primeiro remova os tentáculos presos a pele. Não lave a área com água doce, porque mais veneno pode ser liberado no corpo. Em vez disso, limpe-a esfregando com álcool, amônia, vinagre ou urina (sim, foi isso que você leu). Você também pode aplicar um amaciador de carne ou uma mistura de bicarbonato de sódio e água. Qualquer sintoma de reação alérgica (dificuldade respiratória, urticária, chiado no peito) requer atenção médica imediata.

Água-viva para o jantar
Domínio público
Salada de água-viva, uma entrada comum na China e em outras cozinhas asiáticas

A água-viva tem uma proteção excelente contra os predadores: seus tentáculos urticantes são uma forte barreira e seu corpo transparente ajuda-a a se esconder. Alguns animais, como as tartarugas-cabeçudas, o peixe-lua e o peixe-enxada, comem água-viva. Alguns peixes jovens vivem sobre ou até mesmo dentro da água-viva. Eles se escondem nos tentáculos para evitar serem comidos por predadores até ficarem adultos. E algumas pessoas, principalmente na China e no Japão, também comem água-viva, considerada uma iguaria.

Com exceção das fisgadas ocasionais, a água-viva normalmente não é perigosa. Mas nos últimos anos, determinadas partes do mundo, como Japão, Austrália e alguns locais da Europa, observaram um aumento problemático nas populações de água-viva. Os cientistas acreditam que o aumento no número de águas-vivas pode estar relacionado com nutrientes extras na água, alterações no clima ou a pesca ao longo da costa. Os aumentos exagerados na população são chamados de florescências. Alguns pesquisadores estão preocupados porque o número maior de águas-vivas poderia disputar os recursos de alimentos com os peixes e outros animais marinhos, acarretando até a extinção das espécies nativas. Em grandes quantidades, as águas-vivas provocam estragos nas indústrias pesqueiras locais ao fazerem furos nas redes de pesca e dizimar populações de peixe.

Atolla wyvillei
Imagem cedida Kevin Connors /MorgueFile
Uma colônia, ou um grupo pequeno, de águas-vivas

A água-viva sobrevive melhor no seu ambiente natural, mas muitos aquários têm tanques com este animal. As pessoas que capturam e criam a água-viva em cativeiro devem tomar muito cuidado para não danificar seu corpo frágil. É fácil recolher a água-viva no estágio de pólipo, quando ela está menos vulnerável. O ideal é que ela fique em um tanque sem cantos pontiagudos ou obstáculos nos quais poderia se cortar. Além disso, a água precisa ter um certo fluxo porque a água-viva se desloca basicamente através das correntes.

Aqui estão alguns dos muitos tipos diferentes de água-viva:

Água-viva cubozoária
Esta água-viva se parece com um quadrado com seus quatro lados, daí o nome "cubo". Sua subcategoria de 16 espécies de água-viva inclui o cubozoa. A água-viva cubozoária tende a flutuar na direção das desembocaduras dos rios e riachos e sua fisgada é muito dolorosa. As pessoas que foram fisgadas distraidamente podem sentir cãibras intensas nos músculos e dificuldade de respirar.

Atolla wyvillei
Imagem cedida E.Widder/NOAA Ocean Explorer
Atolla wyvillei, uma água-viva que vive no fundo do mar

Água-viva do fundo do mar
O nome deste tipo de água-viva diz tudo. A água-viva do fundo do mar vive em águas profundas, cerca de 7 mil metros abaixo da superfície do oceano. Em geral, ela é escura: marrom, roxa ou preta.

Água-viva Irukandji
Irukandji é um tipo de água-viva cubozoária encontrada na Austrália. Embora ela seja pequena (aproximadamente do tamanho da unha de um dedão humano), seu veneno é extremamente tóxico. Este tipo de água-viva tem cnidoblastos no seu corpo, assim como nos tentáculos. A fisgada da Irukandji é muito dolorosa e provoca tantos sintomas graves que os cientistas deram um nome a eles: síndrome de Irjukadji. Os sintomas incluem pressão alta, vômito, dores de cabeça, cãibras extremas e dor, além de uma sensação de queimação. A síndrome de Irukadji pode durar até duas semanas e não há antídoto. Os médicos descobriram que infusões de magnésio pode aliviar um pouco, mas a síndrome pode ser fatal.

Uma água-viva de lua
Imagem cedida Florida Keys National Marine Sanctuary
Uma medusa luna

Medusa luna
Este é o tipo de água-viva mais visto nas costas da América do Norte e da Europa. Essa água-viva rosa ou azul normalmente vive nas águas a cerca de 6 m de profundidade. Sua fisgada é suave, deixando uma erupção vermelha que coça.

Para mais informações sobre a água-viva e assuntos relacionados, confira os links na próxima página.

Caravela-portuguesa

Uma caravela-portuguesa
Imagem cedida NOAA

Uma caravela-portuguesa não é uma água-viva, embora se pareça com uma. Na verdade, ela é um sifonóforo, ou seja, colônias flutuantes que incluem quatro animais individuais, cada um com sua função (por exemplo, fisgada, alimentação, movimento e reprodução).

A caravela-portuguesa, que recebeu esse nome no século XVIII por causa de um navio com o qual se parecia, é membro do mesmo filo da água-viva, Cnidários. Sua fisgada pode ser muito dolorosa e pode apresentar sintomas como calafrios, febre, náusea, vômito e choque. Em alguns casos, as fisgadas são fatais.



2 comentários:

carla disse...

eu nem terminei de ler... pois no começo o artigo diz que aguas vivas são planctons.... meu Deussss!!!!

Bittencourt disse...

Oi Carla,
Obrigado por comentar este artigo, diga-se de passagem o mais antigo de meu blog. Como foi mencionado originalmente, foi feito referente a uma pesquisa feita na internet e, assumindo a culpa, deveria ter realmente pesquisado outras fontes. Assim, aproveitando a colaboração da amiga, se possível, informe as possíveis correções visando ajudar a pesquisa de outros com informações suficientes para não incorrerem em erro.
Desde já agradeço e um feliz natal e próspero ano ano novo de 2010.